Todos nós a parabenizamos por essa conquista e desejamos muito sucesso e muito axé nessa nova fase!!!
Kátia recebendo o cordão branco de Mestre Eduardo Storti, fundador do Grupo de Capoeira Equilíbrio.SALVE!!!
Kátia recebendo o cordão branco de Mestre Eduardo Storti, fundador do Grupo de Capoeira Equilíbrio.
Atacaram-se, mas não em sentido pessoal. Bimba e Pastinha jamais se hostilizaram individualmente. Nunca gingaram juntos, nem mesmo se visitaram em toda a existência. Existem registros raros de encontros casuais entre os dois, como no 1º Festival de Capoeira da Bahia, no Ginásio Antônio Balbino, em 1966. Debateram algumas vezes por meio da imprensa, em matérias conduzidas pelo tom do rivalismo. Reportagem da Tribuna da Bahia, publicada no dia 13 de novembro de 1969, fez surgir algumas rusgas. No segundo caderno, a Tribuna intitulou: “Bimba e Pastinha, um duelo de titãs”. Ali argumentaram sobre os estilos de cada um, e fizeram questão de estabelecer diferenças.
Pastinha cria regras para o jogo e proíbe golpes traiçoeiros, como o dedo nos olhos, a cabeçada solta e a meia-lua baixa. Elabora hierarquias complexas para que a capoeira seja praticada de forma desportiva. “Deu ao centro mestre de campo, mestre de canto, mestre de bateria, mestre de treinos, contramestre, arquivista...”, enumera Ângelo Decânio Filho, estudioso dos seus manuscritos. “O próprio uniforme preto e amarelo, inspirado nas cores do Ypiranga, representou mudança voltada para os princípios acadêmicos. Mestre Pastinha não consentia que se jogasse descalço e sem camisa em sua academia”, confirma trecho do livro de Liberac. Em 1952, redige-se o primeiro estatuto do Ceca.
O resgate do passado significou a quebra dos laços com a rua. Pastinha consegue tirar a capoeira da desorganização e termina por romper culturalmente com sua faceta marginal, vinculada ao crime. “Eu sei que tudo isso é mancha suja na história da capoeira. Mas um revólver tem culpa dos crimes que pratica?”, questiona. Eram tempos de arruaça e diversão. “Nas primeiras décadas do século passado, a capoeira estava entre a ordem e a desordem, a violência e a festa”, analisa Adriana Albert Dias, autora de Mandinga, manha e malícia, livro que reconstitui o cotidiano dos capoeiristas entre 1910 e 1925.
Mudanças implementadas por Pastinha condenam a violência e valorizam a ludicidade da tradição afro.
Mas Pastinha sabia que poderia contar com alguns dos seus. O escritor Jorge Amado interveio junto ao então governador Antonio Carlos Magalhães para que o mestre recebesse ajuda de custo de 300 cruzeiros e pensão vitalícia por “serviços prestados ao turismo”. “Mestre Pastinha merece ter uma situação excepcional na Bahia. Trata-se de um grande mestre da nossa cultura popular e deveria ser amparado pelos poderes públicos e pela população. É o guardião de preciosidade da nossa cultura, a capoeira angola”, alertou Jorge Amado.